O cálculo de potência é uma etapa fundamental no dimensionamento de sistemas de radiocomunicação. Ele permite determinar a energia disponível na entrada da antena, a potência irradiada e o nível de sinal esperado no receptor.
Um erro comum é considerar apenas a potência nominal do transmissor, ignorando as perdas introduzidas pelos componentes do sistema.
1. Unidades de potência
A potência pode ser expressa em watts ou em unidades logarítmicas.
A conversão de watts para dBm é:
E de dBm para watts:
Algumas referências:
| Potência | Equivalência |
|---|---|
| 1 mW | 0 dBm |
| 10 mW | 10 dBm |
| 100 mW | 20 dBm |
| 1 W | 30 dBm |
| 10 W | 40 dBm |
| 50 W | 46,99 dBm |
| 100 W | 50 dBm |
2. Potência na entrada da antena
A potência efetivamente entregue à antena depende das perdas de alimentação:
Os termos são expressos em dB e a potência resultante em dBm.
3. Potência irradiada
Considerando o ganho da antena:
O resultado é expresso em dBm ou dBW.
O cálculo deve considerar o ganho em relação à antena isotrópica. Quando o ganho é especificado em dBd, é necessária a conversão para dBi:
4. Exemplo de dimensionamento
Considere:
- Transmissor: 25 W.
- Ganho da antena: 6 dBi.
- Perdas no cabo: 2 dB.
- Perdas nos conectores: 0,5 dB.
A potência do transmissor é:
A EIRP será:
Convertendo para watts:
Esse valor representa a potência isotrópica equivalente na direção de máximo ganho da antena, não a potência efetivamente irradiada em todas as direções.
5. Potência, cobertura e regulamentação
Aumentar a potência pode melhorar o nível de sinal recebido, mas não resolve necessariamente problemas de cobertura provocados por obstáculos, interferências ou limitações de recepção.
O dimensionamento deve respeitar os limites aplicáveis de potência, EIRP, ERP, emissões e demais condições regulatórias da faixa e do serviço.
Conclusão: a potência de transmissão é apenas uma das variáveis do projeto. O resultado relevante é o desempenho do enlace completo.