Interferência de radiofrequência é a presença de energia eletromagnética indesejada que afeta o desempenho de um sistema de comunicação. Ela pode provocar degradação da qualidade do sinal, aumento de erros, perda de sensibilidade, redução de cobertura e interrupções de serviço.
Em sistemas profissionais, identificar corretamente a origem da interferência é essencial para evitar intervenções ineficientes.
1. Principais tipos de interferência
Interferência co-canal: ocorre quando dois ou mais sistemas utilizam a mesma frequência ou canal, produzindo interferência no receptor.
Interferência de canal adjacente: ocorre quando uma emissão em frequência próxima afeta a recepção de outro canal devido à largura espectral, às emissões fora de faixa ou à seletividade insuficiente.
Intermodulação: ocorre quando dois ou mais sinais interagem em dispositivos não lineares, produzindo componentes em frequências adicionais.
Para dois sinais com frequências e , alguns produtos de terceira ordem são:
Esses produtos podem cair dentro de canais utilizados pelo próprio sistema.
Emissões espúrias: sinais indesejados gerados por transmissores ou componentes eletrônicos fora da faixa fundamental de operação.
Interferência por ruído: elevação do piso de ruído causada por fontes naturais ou artificiais.
2. Relação sinal-interferência
A relação entre o sinal desejado e a interferência pode ser expressa por:
Onde:
- : potência do sinal desejado.
- : potência interferente.
Quando também existe ruído relevante, utiliza-se a relação SINR:
As potências devem ser convertidas para unidades lineares antes da soma.
3. Intermodulação em sistemas de radiocomunicação
A intermodulação é especialmente importante em instalações que possuem diversos transmissores, antenas compartilhadas, combinadores e duplexadores.
Pode ocorrer em:
- Estágios de potência.
- Conectores oxidados ou mal instalados.
- Componentes passivos com comportamento não linear.
- Amplificadores e receptores.
- Sistemas de antenas compartilhadas.
A análise deve considerar os níveis de potência, frequências, ordens de intermodulação e produtos que efetivamente caem nas frequências de recepção.
4. Procedimento de diagnóstico
Um diagnóstico profissional deve incluir:
- Registro do problema e das condições de ocorrência.
- Verificação das frequências e canalizações.
- Medição do espectro com analisador apropriado.
- Avaliação do piso de ruído.
- Identificação de sinais interferentes.
- Verificação de emissões espúrias e intermodulação.
- Medições em diferentes pontos e horários.
- Testes controlados de isolamento de fontes.
O uso de analisador de espectro deve considerar largura de banda de resolução (RBW), largura de banda de vídeo (VBW), detector, tempo de varredura e faixa dinâmica.
5. Técnicas de mitigação
As soluções dependem da origem identificada:
- Replanejamento de frequências.
- Instalação de filtros passa-faixa ou rejeita-faixa.
- Melhoria da isolação entre antenas.
- Substituição de conectores e componentes defeituosos.
- Uso de duplexadores adequadamente dimensionados.
- Ajuste de potência.
- Reposicionamento de antenas.
- Correção de problemas de aterramento e blindagem.
Conclusão: não se deve aumentar a potência do transmissor como primeira resposta a um problema de interferência. Em determinadas situações, isso agrava o problema. O diagnóstico deve preceder qualquer intervenção.